Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Em recuperação - Actividade 4

Quantos de nós não desabafámos já o desânimo que sentimos perante alunos que revelam um crescente desinteresse pelas aulas e pelas várias matérias leccionadas. Fala-se de imaturidade, facilitismo, pouca preparação de base, enfim, tentativas desesperadas para encontrar justificações para o baixo desempenho de uma geração com hábitos e percursos académicos certamente diferentes de há 10, 20 ou 30 anos.
Cativar os nossos alunos para as nossas aulas deverá ser, mais do que nunca, um desafio. Procurar a forma como poderemos ir ao encontro das expectativas destes alunos desafiando-os também a se envolverem num projecto de aprendizagem mútua, terá necessariamente que fazer parte dos métodos actuais de ensino.
É neste contexto que a reflexão sobre os resultados das experiências levadas a cabo noutras universidades na reformulação dos seus cursos poderá contribuir para um maior envolvimento e desempenho por parte dos alunos e professores.
O caso estudado (Introduction to Statistical Reasoning - Carnegie Mellon University) enquadra-se no conjunto das disciplinas presenciais, de formação de base e transversal a várias áreas do conhecimento, que utilizam programas informáticos de apoio à resolução de problemas/exercícios.
O projecto levado a cabo na reestruturação desta disciplina pôs em evidência algumas questões relativas às dificuldades que os alunos sentem neste tipo de disciplinas conduzindo-nos a uma reflexão sobre as semelhanças e dissemelhanças nos nossos contextos específicos. Por outro lado, alertou-nos para a necessidade de termos um feedback regular e mensurável sobre o desempenho dos alunos diferente daquele que se consegue nas avaliações finais. Uma outra ideia interessante que se retirou deste programa foi a da "reciclagem" dos materiais produzidos ao longo dos tempos dando-lhe uma mais-valia ao serem incorporados em plataformas mais apelativas.
Aprendemos, também com este projecto que foi necessário despender muito tempo com o feedback dos alunos relativamente à utilização da ferramenta informática desenvolvida (StatTutor) permitindo calibra-la, mas os resultados desse investimento parecem ter sido compensadores.
O factor tempo, já discutido nos fóruns, parece ter sido, também neste caso, uma questão fulcral: se por um lado o tempo necessário para a elaboração, optimização com o retorno dado pelos alunos e para a sua implementação foi extenso, o tempo dispendido pelos alunos para a resolução dos exercícios também foi considerado excessivo. Ficou ainda por se perceber deste caso qual o tempo necessário para acompanhar e alimentar a utilização deste programa.
No contexto da Faculdade de Arquitectura e mais concretamente das disciplinas de SIG e mesmo das de Estatística, as questões colocam-se essencialmente ao nível técnico e da sustentabilidade de um projecto deste tipo. Não existe um corpo técnico de informática com formação e disponibilidade para se aventurar numa solução semelhante à do caso de estudo. Teria de ser o corpo docente responsável por estas disciplinas a conceber, a desenvolver e a implementar uma solução deste tipo. O sucesso do projecto da Carnegie Mellon University deveu-se muito ao apoio institucional: "This is additional institutional support that has proven critical to the success of the project. It is indeed an example of how the institution has to have depth beyond the principle investigators and a commitment to use that depth for such projects to succeed."
A criação de estruturas institucionais que ajudem a disseminar ferramentas e materiais e a contribuir para a sustentabilidade dos projectos de reestruturação de disciplinas parece ser uma ideia chave deste caso de estudo.
Na impossibilidade de um investimento tão grande em tempo e noutros recursos a adequação de ferramentas abertas existentes e disponíveis poderá ser uma alternativa à criação de uma infra-estrutura pesada para a qual não se preconizam meios.

Domingo, 10 de Maio de 2009

ArcExplorer

http://www.esri.com/software/arcgis/explorer/index.html

O ArcExplorer é uma aplicação informática de acesso livre que permite criar, analisar e partilhar mapas com qualquer pessoa, via internet.

No contexto das disciplinas de Fundamentos de Informação Geográfica e de Sistemas de Informação Geográfica pode constituir uma ferramenta útil para a análise geográfica dos casos de estudo, permitindo ainda a visualização tridimensional do espaço e a integração de dados geográficos provenientes de fontes diversas. Neste âmbito, poderá ainda ser útil para que diferentes grupos de trabalho de uma turma possam partilhar os resultados dos temas que estam a tratar (demografia, edificado, transportes, equipamentos, etc.) e criar um projecto comum com cartografia de síntese.

Os critérios mais relevantes para a escolha desta aplicação foram:

- A adequabilidade aos conteúdos da disciplina num contexto de exploração e partilha de informação geográfica: a importância da informação geográfica nas diferentes áreas de formação em arquitectura e urbanismo parece ser inquestionável, mas os meios e as formas de partilha dessa informação nem sempre estão valorizadas nos seus curricula. Este recurso parece por em evidência esta questão da partilha de forma simples e apelativa.

- A existência de um conjunto de recursos de apoio acessível na internet: um dos problemas que frequentemente encontro quando utilizo software opensource é a falta documentação de apoio. O ArcExplorer dispõe de um vasto conjunto de recursos de suporte que vão desde um blog a vídeos com demonstrações, powerpoints e até a um curso simples e gratuito num virtual campus. A organização deste material de apoio poderá ainda servir-me de inspiração para a criação de recursos semelhantes para as minhas disciplinas.

- A possibilidade de integração com informação geográfica de base gratuita disponibilizada pelo governo português: o Instituto Geográfico Português disponibilizou um conjunto de ortofotomapas digitais de alta resolução passíveis de serem incorporados no ArcExplorer, constituindo um fonte de informação geográfica de base fundamental para a análise e gestão do território. Ao utilizarem esta ferramenta com os ortofotomapas os alunos poderão compreender a importância da criação de infra-estruturas deste tipo por parte do Estado.

- A importância dos standards na partilha de informação: um dos principais problemas que a partilha generalizada de informação geográfica acarreta é facilidade com que se produz informação sem garantia de qualidade e sem os metadados adequados. A utilização deste recurso pode facilmente por em evidência esta questão através de exercícios simples e consequentemente salientar a importância da utilização de standards para a partilha eficiente de dados.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

OER's

Depois do que já foi publicado nos blogs de alguns colegas sobre os "Open Educational Resources" tenho alguma dificuldade em fazer uma análise crítica que traga algo de novo.
Posso falar da minha experiência de utilização de OER que passa essencialmente pela manipulação de software opensource no domínio dos Sistemas de Informação Geográfica. Embora continue a utilizar software comercial, pois muitas empresas disponibilizam gratuitamente ou a baixo custo os seus programas informáticos, reconheço que o software opensource nesta área do conhecimento começa a estar muito aperfeiçoados e com grandes vantagens na difusão pela comunidade estudantil destas tecnologias.
A principal dificuldade que tenho encontrado ao nível da utilização de software opensource é a escassez de manuais e de material de apoio para a iniciação. Esta questão é colmatada através dos foruns de utilizadores, mas só é prática para questões específicas e pontuais.
O Google Earth é também um bom exemplo de um recurso aberto com muitas potencialidades na área da educação, fornecendo imagens aéreas bastante actualizadas aos alunos que estudam questões relacionadas com o território (e não só), permitindo-lhes vizualizar as suas áreas de estudo com bastante pormenor, bem como sobrepor o resultado das suas análise espaciais, consubstanciadas em cartografia temática, através da utilização de um standard - o KML.(http://www.opengeospatial.org/standards/kml/).


Exemplo de sobreposição de cartografia temática às imagens do Google Earth

O acesso fácil a estes recursos traz a banalização da utilização da informação geográfica como infra-estrutura de apoio a muitos conteúdos disciplinares o que parece ser uma virtude destes recursos. Porém, ao nível da produção de informação geográfica a banalização não é, a meu ver, desejável : informação produzida por não especialistas e que poderá vir a alimentar sistemas de informação acarreta um grande grau de incerteza no que respeita à qualidade da informação e consequentemente gerar análises e modelos pouco credíveis, mas aceites por desconhecimento dos procedimentos utilizados na produção dessa informação.

Desabafos

Sabem qual é o principal problema do e-learning?
É não haver desculpas para não fazer os TPCs...


by Nicole "Namataka" Gilbo

Domingo, 3 de Maio de 2009

Operacionalizar o "Blended Learning"

A análise do caso da disciplina de estatística na Carnegie Mellon University (onde foi desenvolvida uma aplicação informática de apoio às aulas), do nosso forum (onde a discussão sobre ferramentas teve a maior participação) e do meu contexto na FA, levaram-me a centrar esta minha reflexão sobre a operacionalização do "Blended Learning".
Terminado este curso, e provavelmente já para o próximo ano lectivo, muitos dos colegas vão querer fazer as primeiras experiências de e-learning com as disciplinas que leccionam ou até mesmo apostar na criação de cursos totalmente a distância. A escolha das ferramentas e a sua aprendizagem irá, então, ser uma "preocupação de primeiro plano".
Para muitos de nós os objectivos das cadeiras que leccionamos estão há muito definidos. A concretização desses objectivos por parte dos alunos é que muitas vezes está aquém das nossas expectativas e é nesse contexto que queremos inovar.
A opção pela utilização de uma determinada ferramenta ou pela combinação de várias ferramentas é a primeira questão que se me impõe: se por um lado a escolha de uma única ferramenta (por exemplo o Moodle) poderá ser limitativa para determinadas tarefas a combinação de ferramentas parece-me trazer uma grande dispersão a alunos do primeiro ciclo ou mesmo nas disciplinas mais aplicadas. Por outro lado, deverá ser equacionado o custo-benefício para o docente: para além das aulas teóricas e práticas que tem necessariamente que preparar e dar, a criação dos conteúdos específicos bem como a análise da participação dos alunos terão um retorno sempre em função das suas opções em termos de ferramentas.
O apoio institucional não pode ser ignorado nesta etapa: haverá verba para a criação de uma ferramenta específica? Os centros de informática terão capacidade (material e humana) para apoiar a implementação e a manutenção de que ferramentas de e-learning? Cada um de nós resolverá o seu problema à sua maneira investindo mais ou menos consoante as disponibilidades de tempo?
A imposição de uma ferramenta ou conjuntos de ferramentas não será certamente a solução adequada para a maioria dos casos. Penso que, tal como referi no Wiki , o sucesso da escolha e implementação de ferramentas de e-learning pode passar pela criação de grupos de interesse (docentes com disciplinas e níveis de ensino com características semelhantes) que partam em conjunto para a utilização de uma ou várias ferramentas, permitindo não só uma entreajuda no arranque como na análise do feedback.

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Síndrome da página em branco

Não sei o que escrever para iniciar esta aventura.
Consolo-me a pensar que provavelmente receberei uma mensagem que diz: "Não te preocupes, no início isso é normal...".